quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Montagem do Kit do RAAC Centurion Mk. V

A AFV Club lançou há alguns anos diversos kits do importantíssimo tanque Centurion Britânico, o tataravô dos MBT´s da terra da Rainha Elizabeth (o Chieftain, o Challenger e o Challenger 2 deram seguimento honroso à linhagem!), um carro amplamente utilizado por exércitos da Suécia, Austrália, Israel, entre outros. Até então tínhamos o surrado kit da Tamiya e pros mais abastados e habilidosos os da Accurate Armour, este em resina!

E para os Viet-fans, um kit em especial logo chamou a atenção: a versão MK.5/1 utilizada pelo Royal Australian Armoured Corps (RAAC).


Para montar este kit, resolvi adquirir o excelente set de melhoramentos da Voyager, que além de peças em photo-etched, acompanha algumas peças em resina (inclusive um belíssimo mantlet cover) e uma cordoalha de cobre excelente para fazer os cabos de aço.

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Quando vi que já estava disponível o set de esteiras link-by-link workable da própria AFV Club também resolvi adicionar ao pacote, pois no kit vem alguns links para fazermos as esteiras reservas e fiquei realmente impressionado pela qualidade de injeção e simplicidade de montagem, bastando encaixar e após ouvir o clique, está pronto!



Finalizando, no trabalho de pesquisa para fazer este modelo, acabei encontrando um livro perfeito para este trabalho: Australian Centurions in Vietnam, do autor Shane Lovell, da série Military Briefs da editora australiana Mouse House Enterprises.


A história dos Centurions no Vietnam


No início de 1967, em correspondência ao chefe do Estado Maior das Forças Armadas Australianas, o General Vincent, então Comandante Chefe das Forças Australianas no Vietnã  relatava suas preocupações com as oportunidades perdidas de derrotar o Vietcong (VC, ou simplesmente “Charlie”. Copiando as táticas de guerrilha bem sucedidas de Mao Tse Tung, eles escolhiam, aonde, como e quanto tempo lutar, fugindo para seus esconderijos no meio da mata sempre que se sentiam ameaçados. E a única forma, segundo Vincent, de romper essa vantagem seria o emprego de tanques médios.


Assim, um esquadrão de tanques reforçado foi formado dentro das fileiras do 1º Regimento Blindado (1 Armd Regt) para servir no Vietnã no início de 1968. AO chegar no Sudeste Asiático em fevereiro do mesmo ano, este esquadrão ficou subordinado ao comando da 1ª Força Tarefa Australiana (1ATF), baseado na província de Phuoc Tuy, a leste de Saigon. Nos 3 e meio anos seguintes, estes tanques participaram de operações contra as guerrilhas locais Vietcongues e o Exército Regular Norte Vietnamita, na província de Phuoc Tuy e arredores, até a sua retirada em setembro de 1971. Neste período, 57 tanques Centurion, 4 unidades ARV (Armoured Recovery Vehicles – veículos oficina) e 3 lança-ponte foram utilizados. Como ocorre quando um veículo inicialmente projetado para um determinado teatro de operações é utilizado em outro, diversas modificações são feitas, muitas delas fruto da inventividade e capacidade de improviso das próprias tripulações. Assim, não podemos dizer que houve um tipo específico de Centurion australiano no Vietnã e esta evolução, bem como organização tática das unidades e as missões efetuadas serão analisadas ao longo deste artigo.


 

            Os primeiro usuários dos Centurions no exército australiano foi o 1º Regimento Blindado (1 Armd Regt) e o Centro de Blindados (Armoured Centre), sediado em Puckapunyal, no estado de Victoria, ao sul da Austrália, equipado originalmente com veículos Churchill, nos mesmos padrões ingleses, ou seja, esquadrões e tropas (no exército americano correspondem a companhias e pelotões, respectivamente). O número de veículos de um regimento nos anos 50 e 60 oscilava em torno de 35, além de um pequeno número de veículos especializados, conforme forma entrando em serviço.

            Já o Centro de Blindados, por ser uma unidade de treinamento, recebeu todas as variantes dos Centurions empregados pelo exército australiano, num total de 15.

Os Centurions enviados para o Vietnã

            Em 17 de outubro de 1967, o governo australiano anunciou formalmente que as forças australianas no Vietnã seriam reforçadas, com o envio do 3º batalhão de infantaria, um esquadrão de tanques e demais unidades de apoio logísitico. O 1 Armd Regt , foi pego de surpresa com tal anúncio e preparativos apressados foram feitos para convocar pessoal, equipamentos e suprimentos para tal força.


            Para equipar a força-tarefa, 30 tanques Centurion foram designados para o 1 Armd Regt.  A maioria destes havia sido recentemente recondicionados no 4 Base Workshop em Bandianna, como parte de um programa cujo objetivo era prolongar a vida útil destas unidades bem como introduzir modificações nestes tanques. 30 novos Centurions foram progressivamente despachados para Puckapunyal, chegando entre novembro e dezembro de 1967. Destes, 24 eram Mk. 5 /1 (Aust); esta designação, no entanto não é uma que se possa considerar oficial naquele período, mas foi utilizada para classificar os veículos que foram submetidos a modificação, o que os deixavam no memso patamar dos Mk. 10, mas sem a adoção do canhão L7 105mm.

            Vinte desses Centurions Mk. 5/1 eram equipados com 1 rádio C42 e 1 B47, identificáveis pela pelas antenas situadas na parte frontal do teto da torre; já os outro 4 eram veículos de comando, equipados com 2 rádios C42 e um B47. Esse C42 adicional melhorava sensivelmente o alcance de comunicação com as bases de comando e suporte. Tais veículos eram identificáveis pela presença de uma terceira antena posicionada na parte traseira esquerda da torre.

            Todos os 24 tanques foram equipados com as seguintes modificações externas, facilmente identificáveis:

  • Uma metralhadora co-axial 0,50” RMG (ranging machine gun – metralhadora de medição de distâncias);
  • Um tanque extra de combustível montado na parte traseira do casco com capacidade de 100 galões;
  • Equipamento de visão infravermelha, composto de visores para o comandante, atirador e motorista e um farolete de busca com 1000 Watt de potência, montado no mantlet; esta, quando não estava sendo utilizada, dispunha de um alojamento especial para guardá-la na cesta montada na parte traseira da torre;
  • Um ametralhadora 0,30” Browning L3A4, montada num suporte Mounting Nº 5 Mk. 2.


Avaliação do Kit

Os kits da AFV Club já são de uma qualidade acima da média há alguns anos. Muito antes da Dragon, alguns blindados já vinham com canhão em alumínio e algumas partes do kit a serem montadas com photo-etcheds.

A injeção também é muito boa, pois eles sempre tomaram cuidado ao posicionar os pinos de injeção / extração em locais que ficariam ocultos durante a montagem, além de utilizarem um plástico de alta qualidade, o que facilita o trabalho de desgaste e limpeza das peças. Aliás, neste kit, pela primeira vez pude manusear um sprue de transparências (destaque para a cúpula) feito de um material maleável, o que sem dúvida a algo a se enaltecer, pois já tive diversos contratempos com peças acrílicas que se partiam já no desgalhe.

Outro ponto forte do kit é o seu canhão que chega ao requinte de reproduzir o raiamento interno. Duas peças em plástico completam a montagem deste, que formarão o acumulador de gases... em resumo, mais uma grande economia de tempo e uma peça que valoriza o modelo.

Destaco também as partes de borracha das rodas vêm a parte num set 26 rodinhas de borracha, ou seja, nada de gabarito de círculos ou exercício de paciência de pintar de preto as mesmas... Aleluia, mas parece que as empresas estão entendendo que esta é a melhor solução. Lá para 1999 eu vi pela primeira vez o kit do Merkava II da Academy e fiquei pensando por que ninguém mais fazia assim.

Como sempre ocorre quando opto por utilizar um desses, faço um detalhado roteiro das peças que serão substituídas e quais realmente valem a pena, pois nem tudo que vem num set desses se faz necessário... para tanto, uma detalhada pesquisa é fundamental.

Montando o kit

Só pude iniciar a montagem deste kit depois de estudar cuidadosamente o livro dos Centurions no Vietnam e todas as referências encontradas na Internet, que aliás, possui vasto material, inclusive walk-arounds de veículos extremamente bem conservados na Austrália, bem como os manuais do kit e do set da Voyager.

Foi uma montagem lenta e cuidadosa, pois sempre achamos detalhes a serem feitos ou melhor detalhados. Admito que foi extremamente cansativo cortar, dobrar e colar tantos photo-etcheds. Mas o resultado final valeu a pena.

Neste modelo, pela primeira vez utilizei as tintas da Vallejo, que são realmente muito boas, econômicas e dão um belo acabamento. Utilizei na cobertura base do carro Olive Drab 71043 da série Model Air, criadas especialmente para uso em aerógrafo. As outras partes do carro foram pintadas com as cores da série Model Color, nos tons equivalentes aos da Gunze que são informados no manual do kit. Utilizei também a máscara líquida, que se revelou superior ao Maskol da Humbrol.

No resto, utilizei o de sempre: primer 1000 da Multicores, adesivos instantâneos cianoacrilato da Tekbond, linha modelismo, em 4 viscosidades / tempos de cura diferentes, washeds com tintas a óleo Acrilex, verniz fosco Testors e lápis aquarelados Caran d’Ache.


Enfim, o bicho pronto!





 







 Conclusão e agradecimentos                          

Meu veredicto é que mais uma vez a AFV Club produziu um ótimo modelo, que mesmo sem nenhum after-market, permite ao modelista adicionar à sua coleção o Centurion da terra dos cangurus. Os after-markets que utilizei também são excelentes. O livro da Mouse House no entanto foi de vital importância para eu descobrir alguns detalhes e poder reproduzi-los no meu kit e gostaria de agradecer Mr. John Myszka pela cortesia de enviar um exemplar para servir como rewferência. Aos interessados em adquirir este e outros produtos, acessem www.mheaust.com.au ou enviem um e-mail para info@mheaust.com.au.

E por último mas não menos importante, agradeço ao Zé Ricardo e a Dona Maria José da HOriginal (www.horiginal.com.br) por ter cedido o kit as tintas Vallejo que foram utilizadas na montagem deste modelo.

Espero que todos tenham o mesmo prazer que eu tive em montar este kit!
Até a próxima!!!

Gean Marco Furlan

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